Defendendo a qualidade na ESOMAR
Toronto.- Durante a conferência anual da ESOMAR em Toronto, foi realizado um painel de discussão muito esclarecedor em torno da qualidade das pesquisas.
Mais especificamente, os palestrantes destacaram a evolução dos métodos dos impostores nas pesquisas como um problema cada vez mais crítico na indústria de insights.
A InnovateMR e a Opinion Route compartilharam um trabalho original por meio de sua apresentação “Freeze Fraudster”, que incluiu vídeos com fraudadores reais revelando seus truques, algo que nunca havia sido visto neste tipo de evento.
Em seguida, um painel de especialistas foi liderado por Diego Casaravilla (CEO da FINE e membro do Comitê de Programa da Conferência) com a participação de Sandy Casey (SVP of Global Supply na InnovateMR), Rich Ratcliff (Chief Product Officer da OpinionRoute), Vignesh Krishnan (CEO e fundador da Research Defender), Kyle Hope (head de Supply and Partnerships na Quest Mindshare) e Leib Litman (cofundador e Chief Research Officer na CloudResearch).
Um intercâmbio revelador incluiu o detalhamento das soluções atuais e também ações propostas para enfrentar esse sério risco.
Algumas conclusões dessa discussão foram:
1. A fraude é uma ameaça séria para a nossa atividade, pois coloca em risco a confiança em nossas pesquisas. Por mais sofisticados que sejam os modelos estatísticos ou analíticos, eles se tornam inúteis se não forem alimentados por seres humanos reais que forneçam respostas genuínas. Embora a fraude não seja nova, ela foi acelerada pela maior adoção das moedas virtuais como meio de compensação dos respondentes.
2. A fraude está em toda parte, não apenas na pesquisa de mercado, e a experiência demonstra que a única maneira de lidar adequadamente com ela é ter uma estratégia específica, e esta deveria incluir procedimentos apropriados de detecção de fraude e total transparência. Há uma variedade de truques que os fraudadores empregam, alguns envolvendo software sofisticado ou fazendas de cliques e robôs, outros procedimentos mais manuais, e cada um deles requer respostas de detecção específicas.
3. Os parceiros de amostra deveriam prestar contas e assumir a responsabilidade pela qualidade que entregam, e é fundamental saber quem trabalha em cada projeto e o que está fazendo para prevenir a fraude. Mas também é um problema da indústria e todos os atores deveriam participar, incluindo as associações, os fornecedores de amostra, a agência e os usuários finais. Precisamos definir um conjunto de boas práticas e diretrizes para acordar uma abordagem universal e verificável que cuide da privacidade, mas que também traga transparência e confiança.
Na FINE, levamos a qualidade muito a sério. Entendemos como nossa responsabilidade primordial ter um papel ativo no controle da qualidade da amostra.
Alguns dos nossos procedimentos incluem:
– Só convidamos respondentes previamente verificados (a saber, médicos verificados pelos registros médicos nacionais).
– Evitamos as moedas virtuais e só pagamos por meio de contas bancárias nominais por transferência, garantindo assim a rastreabilidade e utilizando os mesmos procedimentos de identificação da indústria bancária.
– Usamos tecnologia de impressão digital para rastrear completamente as respostas e detectar duplicações.
– Temos um procedimento ativo de listas negras (blacklisting) que evita não apenas potenciais fraudadores, mas também aqueles que respondem rápido demais (speeders) e os respondentes desinteressados.
– Realizamos uma devida diligência (due diligence) diante de qualquer solicitação de mudança de nome para assegurar que não se trate de uma fraude.
– Assumimos um compromisso de empresa, desde o nosso CEO até cada PM, responsável de qualidade e membro da equipe de campo, de empregar todos os controles e tecnologias necessários para assegurar que só entregamos dados genuínos aos nossos clientes.
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