Médicos da América Latina confiantes de que as vacinas vão acabar com a pandemia.

 

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RESUMO

Em 31 de março de 2021, durante o evento Transformation and Trust da ESOMAR, a Fine divulgou os últimos resultados do estudo COVID-19 Tracking.

Isso faz parte de uma iniciativa lançada em março de 2020 e que envolveu respostas de mais de 13.000 médicos em 16 países.

O relatório da 6ª onda ocorrida em março de 2021 teve como base uma amostra de 2.451 médicos do Brasil, México, Colômbia, Argentina e Chile e teve como foco as vacinas.

A pesquisa primeiramente detalha uma evolução dos principais desafios dos médicos, mostrando que a queda no número de pacientes atendidos, embora relevante para muitos e ainda representando em média uma queda de 28% em relação aos níveis pré-pandêmicos (27% para Brasil), não é mais o principal desafio para a maioria dos médicos como era em 2020. Na verdade, a sobrecarga de trabalho surge como um desafio crescente.

Sua principal preocupação atual continua sendo o risco de infecção no contexto da interação entre médicos e pacientes. Esta preocupação é consistente com o fato de que quase 60% (68% no caso do Brasil) estiveram em contato com pacientes infectados na semana passada e que a incidência de COVID-19 na população médica é alta e muitas vezes a proporção da população em geral (na data da pesquisa 21% dos profissionais de saúde participantes foram diagnosticados com COVID), especialmente no México, onde 30% dos profissionais relatam ter sido infectados. No caso do Brasil 22% dos 823 médicos participantes tem sido infectados.

Na época da pesquisa (9 a 10 de março), 73% dos médicos da região relataram ter recebido pelo menos uma dose da vacina COVID-19 e 43% as duas doses. Este nível de cobertura vacinal de profissionais com pelo menos uma dose, era maior no Chile, Brasil (86% vacinados e 27% do total receberam 2 doses) e Argentina, enquanto mal cobria apenas cerca de metade dos profissionais na Colômbia e no México.

Os médicos na América Latina estão mais confiantes de que as vacinas acabarão com a pandemia, considerando que as evidências que as sustentam são sólidas e que a qualidade das vacinas disponíveis na região é semelhante à da Europa e dos Estados Unidos.

Além disso, metade dos médicos tem grande confiança na segurança das vacinas e a outra metade acredita que, embora não sejam totalmente seguras, a vacinação ainda é mais benéfica para a população. Consequentemente, 95% dos médicos recomendam a vacinação a seus pacientes.

Em relação às opções de vacinas específicas, a vacina da Pfizer claramente lidera regionalmente, seguida por Astra Zeneca, Sputnik (forte na Argentina e no México, mas marginal no Brasil e Chile), Moderna, Janssen e Sinovac. No caso do Brasil as preferências aparecem divididas entre Pfizer, Janssen e Astra Zeneca.

Os principais motivadores que geraram confiança para as diferentes vacinas foram aqueles que contribuíram para construir localmente uma história de evidência confiável. Em outras palavras, os mais confiáveis ​​são aqueles que os médicos acreditam que mostram bons resultados nos estudos de fase três em relação à segurança, eficácia geral e eficácia para reduzir casos graves e mortalidade.

A capacidade de lidar com novas variedades parece ser menos relevante, mas é provável que seja afetada pelo fato de que nenhuma vacina “possui” esse atributo o que destaca um cenário de risco potencial.

O prestígio do pais de origem e a reputação do fabricante são relevantes, mas nem sempre decisivos e, por exemplo, o Sputnik na Argentina ou a Sinovac no Chile obtêm altos níveis de confiança, mesmo quando são avaliados comparativamente mais baixos nessas variáveis ​​de prestígio.

Embora a confiança nas vacinas seja alta em geral, a confiança nos governos e nos planos nacionais de vacinação é significativamente menor.

Apenas 20% dos médicos concordam totalmente ou até certo ponto com as políticas de saúde em vigor. Brasil tem o menor valor dos países analisados conseguindo as políticas apenas apoio do 13% dos médicos. Eles estimam coletivamente que cerca de metade da população seria vacinada até o final de 2021 e que levaria cerca de 20 meses para controlar a pandemia. O programa WHO COVAX também não gera muitas expectativas.

Os médicos chilenos são significativamente mais otimistas do que seus pares da região em sua avaliação da gestão das políticas de saúde, especialmente no que diz respeito aos planos de vacinação nos quais têm confiança quase unânime. Eles estimam que em 11 meses a pandemia estará definitivamente sob controle no país (é cerca de metade do tempo estimado por seus pares na região) e que 77% da população estará vacinada até o final do ano.

A pesquisa também avaliou o papel da indústria farmacêutica no contexto da pandemia. Um setor que tradicionalmente tinha uma imagem mais criticada nas pesquisas parece estar revalorizado e 6 em cada 10 médicos afirmam que o desenvolvimento de vacinas tem contribuído para melhorar a imagem do setor, principalmente da Pfizer, Astra Zeneca e Jannsen.