Fine Research apresenta novos insights sobre a transformação dos médicos brasileiros na Conferência EPHMRA LATAM 2026
Uma nova pesquisa própria revela como a crescente concorrência, a desvalorização profissional e o maior empoderamento dos pacientes estão transformando a profissão médica — e o que isso significa para o relacionamento da indústria farmacêutica com os profissionais de saúde na América Latina.
Em 22 de outubro de 2026, a Fine Research Latin America participou do EPHMRA LATAM Chapter Meeting, compartilhando novos insights baseados em dados sobre a evolução do cenário da saúde no Brasil.
O evento reuniu profissionais de pesquisa de mercado na área da saúde e especialistas do setor para discutir alguns dos principais desafios e oportunidades enfrentados pela indústria farmacêutica na América Latina.
Representando a Fine Research, Diego Casaravilla, fundador e CEO, apresentou a palestra “Um novo médico exige um novo relacionamento: como a transformação dos médicos brasileiros está redefinindo as estratégias de relacionamento da indústria farmacêutica”.
Com base em pesquisas próprias realizadas por meio do Fine Panel, o principal painel de profissionais de saúde da América Latina, a apresentação explorou como a profissão médica mudou ao longo da última década e por que as empresas farmacêuticas precisam repensar a forma como se relacionam com os médicos.
Uma década de transformação: o que os dados revelam?
Ao comparar os resultados de estudos realizados em 2016 e 2026, a Fine Research identificou mudanças importantes nas experiências profissionais dos médicos, em suas percepções e no relacionamento com os pacientes.
A pesquisa destaca diversas tendências significativas.
1. Os médicos continuam se sentindo desvalorizados
Apesar das importantes mudanças no cenário da saúde no Brasil, o reconhecimento profissional continua sendo uma das principais preocupações.
Em 2016, 40% dos médicos brasileiros escolheram “desvalorizado” como o adjetivo que melhor descrevia sua profissão. Dez anos depois, esse percentual permanece significativamente elevado, chegando a 31%.
Enquanto isso, a proporção de médicos que descrevem a profissão como sobrecarregada de trabalho ou sob pressão aumentou de 22% para 25%, enquanto aqueles que a consideram mal remunerada passaram de 10% para 12%.
Esses resultados refletem desafios persistentes relacionados ao reconhecimento profissional, à carga de trabalho e às pressões econômicas.
As explicações dos próprios médicos apontam três questões recorrentes: a rápida expansão da formação médica e o aumento da concorrência, a dependência financeira das operadoras de planos de saúde e a percepção de perda da autoridade profissional.
2. O perfil dos médicos brasileiros está mudando rapidamente
A transformação vai muito além das percepções dos profissionais.
Segundo dados do Conselho Federal de Medicina do Brasil apresentados durante a conferência, o número de médicos aumentou de aproximadamente 131 mil em 1990 para 576 mil em 2024 — um crescimento de 339%, muito superior ao crescimento populacional no mesmo período.
A profissão também está se tornando mais jovem e diversa.
Atualmente, as mulheres representam aproximadamente 50% dos médicos brasileiros, percentual que chega a 58% entre os profissionais com menos de 39 anos.
Essas mudanças demográficas têm implicações importantes para a forma como as empresas farmacêuticas segmentam seus públicos, desenvolvem suas estratégias de comunicação e constroem relacionamentos de longo prazo com os profissionais de saúde.
3. O crescimento do paciente empoderado está redefinindo a autoridade médica
Uma das descobertas mais relevantes está relacionada à transformação da relação entre médicos e pacientes.
Em comparação com dez anos atrás, os médicos relatam que:
- 86% afirmam que os pacientes chegam às consultas com mais frequência trazendo suas próprias ideias.
- 80% indicam que os pacientes esperam participar cada vez mais das decisões sobre seus tratamentos.
- 77% relatam que os pacientes exigem mais evidências antes de aceitar recomendações médicas.
- 66% afirmam que os pacientes questionam com maior frequência seus diagnósticos ou recomendações clínicas.
Os pacientes também estão trazendo novas fontes de informação para as consultas médicas.
Segundo a pesquisa, os médicos relatam que seus pacientes fazem referência a:
- 54%: Google e pesquisas na internet.
- 51%: Redes sociais.
- 51%: Ferramentas de inteligência artificial, incluindo o ChatGPT.
- 28%: Influenciadores digitais da área da saúde.
Isso cria uma nova dinâmica na qual os médicos precisam lidar não apenas com o aumento da concorrência profissional, mas também com uma população de pacientes cada vez mais informada — e, em alguns casos, desinformada.
Vale destacar que 42% dos médicos identificaram a desinformação e a influência das redes sociais como um desafio para a profissão.
O que isso significa para a indústria farmacêutica?
A mensagem central da apresentação da Fine Research foi clara:
Um novo médico exige um novo relacionamento.
As abordagens tradicionais de relacionamento da indústria farmacêutica com os profissionais de saúde precisam evoluir junto com a própria profissão médica.
Os resultados apontam três oportunidades importantes para o setor:
Tornar-se um parceiro científico e educacional. Os médicos precisam ter acesso a informações científicas confiáveis, relevantes e constantemente atualizadas para apoiar suas decisões clínicas e responder às dúvidas dos pacientes.
Reconhecer as mudanças no perfil dos médicos. As estratégias de comunicação devem refletir uma comunidade médica mais jovem, com crescente participação feminina e maior presença nos canais digitais, incorporando mais personalização e representatividade.
Apoiar os médicos além da promoção de produtos. Iniciativas educacionais, colaboração em pesquisas e programas que valorizem a prática médica podem contribuir para a construção de relacionamentos mais relevantes e sustentáveis.
A pesquisa sugere que o relacionamento eficaz com os profissionais de saúde depende cada vez mais de compreender os médicos não apenas como responsáveis por decisões clínicas, mas também como profissionais que enfrentam importantes transformações estruturais e sociais.
Reunindo especialistas em pesquisa de mercado na área da saúde na América Latina
O EPHMRA LATAM Chapter Meeting contou com contribuições de importantes organizações do setor de pesquisa e inteligência de mercado em saúde.
A conferência teve início com a apresentação de Ana Maria Aguirre Arteta, Senior Director, Global POP Governance – Global Medical Affairs da Novartis.
Entre as demais sessões, destacaram-se:
- Jessica Cesca e Mauro Morando, da Peas in the Pod, que discutiram o cenário do diabetes tipo 2 na Argentina, com Diego Casaravilla, CEO da Fine Research, atuando como coordenador da sessão.
- Daniela Anselmi, diretora da Inizio Ignite, Research Partnership, que apresentou as lacunas de evidências ao longo da jornada de cuidados de saúde no Brasil, com Silvina Suárez, Head of Service Line da Ipsos, como coordenadora.
- Paul Reed e Esperanza Avila, da Inizio Ignite, Research Partnership, que abordaram a geração de evidências do mundo real na América Latina.
O evento proporcionou um espaço importante para a troca de perspectivas sobre a evolução do cenário da saúde e o papel crescente dos insights baseados em evidências na tomada de decisões da indústria farmacêutica.
Fine Research: transformando dados locais de saúde em insights acionáveis
A participação da Fine Research reflete seu compromisso de longa data com o desenvolvimento da pesquisa de mercado na área da saúde na América Latina.
Com mais de 25 anos de experiência na região, a Fine Research desenvolveu ampla expertise em coleta de dados na área da saúde, relacionamento com profissionais médicos e pesquisas multinacionais.
Por meio do Fine Panel, um painel pioneiro de profissionais de saúde na região, a empresa oferece acesso a médicos e outros profissionais de saúde em toda a América Latina, apoiando empresas farmacêuticas, agências de pesquisa e equipes globais de insights com dados primários confiáveis.
Além de oferecer serviços de campo de alta qualidade, a Fine Research investe continuamente na compreensão dos profissionais de saúde que participam de suas pesquisas.
Essa combinação de cobertura regional, relacionamento direto com médicos, conhecimento dos mercados locais e pesquisa própria permite à Fine Research contribuir com perspectivas valiosas sobre as forças que estão transformando o setor da saúde na América Latina.
Os resultados apresentados na ePHMRA demonstram a importância dessa abordagem: obter insights relevantes depende não apenas de alcançar os participantes certos, mas também de compreender o contexto profissional e social em que atuam.
À medida que o cenário da saúde continua evoluindo, a Fine Research reafirma seu compromisso de conectar a comunidade global de pesquisa de mercado em saúde às vozes dos médicos latino-americanos.
Para saber mais sobre as capacidades da Fine Research em coleta de dados na área da saúde e a cobertura do Fine Panel na América Latina, visite nossos sites: Fine Research e Fine Panel.
Nota metodológica: A comparação das percepções dos médicos baseia-se em pesquisas realizadas pelo Fine Panel no Brasil em 2016 (n=1.040) e 2026 (n=361). Os demais resultados foram extraídos da pesquisa e das fontes apresentadas durante a sessão da EphMRA. Os resultados refletem as respectivas perguntas e bases de respondentes.